Copo de 3

14 julho 2017

Carvalhas branco 2015

Oriundo da mítica Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha) em pleno Douro e ali bem perto do Pinhão, este branco afirma-se a cada colheita (nasceu em 2010) como um dos grandes exemplares da região. Na sua base as castas Viosinho e Gouveio oriundas de um dos pontos mais altos da Quinta. Estagia cerca de 8 meses em barrica de carvalho francês antes de sair para o mercado. Neste caso é a mais recente colheita, ainda muito novo e a pedir tempo de garrafa. Nota-se que temos um vinho cheio de detalhes e complexidade, onde de momento a madeira doce ainda surge num plano superior ao da fruta e aqui apenas e só o tempo irá conseguir inverter os papeis. De resto temos a fruta acompanhada por notas de baunilha que confere algo de cremosidade, rebatida por um fundo bem fresco e com alguma austeridade mineral. O preço ronda os 25€ e é daqueles vinhos que apetece ter na garrafeira. 94 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

30 junho 2017

Contos de Fadas...


E num piscar de olhos enquanto se beberica mais qualquer coisa para ir mantendo a alma lavada, passou mais um mês. Este que foi de má memória mas que ao mesmo tempo serviu para um renascer de ideias bonitas.


Por entre a escrita e mais algum bebericar, olhamos à volta e constatamos que não se passa nada. E mesmo sem nada se passar a festa dos goblins do bosque lá continua de árvore em árvore, de cova em cova. Criaturinhas de riso irritante, orelhas pontiagudas e língua de prata, cujo único trabalho que se lhes reconhece é levar taças de vinho à boca.

Dar de caras com uma destas criaturas dá azar, diz-se que nos tornamos igual a eles, entorpecemos a escrita e a fala. Ficamos reféns de uma realidade que apenas existe num conto de fadas em que eles participam activamente e para o qual nos arrastam. 

Enquanto vou dando conta do resto de um fantástico Moscatel Superior 2001 da Bacalhôa noto que este será provavelmente o único post do corrente mês. É algo que não estava nos meus plano mas que será devidamente recompensado no mês de Julho.



14 maio 2017

Quinta da Bica Vinhas Velhas 2007


Só produzido em anos especiais, este Quinta da Bica Vinhas Velhas nasce de uma vinha com cerca de 50 anos com várias castas misturadas, onde se destaca a Touriga Naciona, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete. Antes de ser colocado no mercado por coisa que ronda os 10€, tem direito a um estágio que ronda os 5 anos. Grande elegância num vinho já em fase adulta que a caminho dos 10 anos, rejubila na sua elegância com perfil clássico em grande destaque. Frescura, fruta ácida com bagas bem suculentas, leve caruma de fundo, bosque, bouquet com muita finesse e longo final. Num grande momento de forma, é um digno exemplar da região onde nasceu. 92 pts

12 maio 2017

Terras Altas 2014


O Terras Altas 2014 é um vinho DOC Dão, que nasce de um blend de Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, o qual teve um envelhecimento de 2 meses em carvalho americano.A nova imagem deste vinho faz uma justa homenagem a António Porto Soares Franco e a uma cepa pela qual tinha especial afeição, podendo ser visitada na Casa Museu José Maria da Fonseca, em Azeitão. Por um preço a rondar os 4€ temos um vinho bastante directo onde a fruta desponta pela frescura, num todo amaciado pelo tempo. A barrica limou ligeiramente os cantos, num vinho que se mostra bastante cordial e pronto a ser bebido com prazer. 87 pts

29 abril 2017

Atlantis rosé 2015


Num passado recente a casa Blandy (Madeira) recuperou a sua marca Atlantis que fica na história como o primeiro vinho de Denominação de Origem Protegida (DOP) Madeirense, nascido em 1991 na versão branco e rosé em 1992. Criado a partir da casta Tinta Negra, com uvas a terem origem nos viticultores de referência nos vinhedos mais quentes da costa sul de Câmara de Lobos e de Campanário. Surge com uns simpáticos 10,5% Vol. o que se agradece cada vez mais e o atira no imediato para um consumo nos momentos mais quentes do ano. Muito centrado na fruta, bem sumarenta embora delicada e com aquele travo de mar em fundo, mas é a boa acidez em conjunto com a fruta madura e bem torneada, num todo muito equilibrado e ao mesmo tempo delicado. Preço a rondar os 8,50€ num vinho que domina a mesa com enorme polivalência, desde os bichos do mar nas mais variadas maneiras ao mais oriental sushi até ao caril mais exótico. Ou então sirva-se fresco a acompanhar um solarengo fim de tarde. 89 pts 

26 abril 2017

Dönnhoff Niederhäuser Hermannshöhle Riesling Spätlese 2008


O produtor Hermann Dönnhoff (Alemanha) é considerado um dos melhores produtores não só da região do Nahe, como de toda a Alemanha. Este vinho nasce de uma vinha chamada Hermannshöhle (A caverna de Hermes),  uma das mais famosas e aclamadas vinhas da região. A vinha com mais de 60 anos é classificada como Grosse Lage (Grand Cru) e vai buscar o nome Höhle que significa gruta, por causa de uma mina situada na vinha, enquanto Hermann deriva de Hermes, o deus dos mensageiros e viajantes. Os solos são de origem vulcânica com presença de rochas ígneas, proporcionando uma atractiva mineralidade aos vinhos. Neste caso o vinho que apenas passa por inox, é marcado pela mineralidade com uma acidez perfeitamente integrada e que nos deixa rendidos aos encantos do seu perfil ligeiro e ao mesmo tempo concentrado. Muito citrino em calda, maracujá, maçã, fundo com algum fruto seco e o toque apetrolado. Tem brilho próprio na pureza de aromas e de sabores, preciso, intenso e ao mesmo tempo acetinado, palato com ligeira untuosidade onde surge um muito ligeiro toque doce. Daqueles vinhos que se torna mais fácil beber do que descrever, porque o prazer esse é do caraças. 94 pts

24 abril 2017

Dominó Foxtrot 2014


Foi no Parque Natural da Serra de São Mamede (Portalegre) que fomos encontrar Vítor Claro, conhecido pela sua cozinha mas cada vez mais também pelos seus vinhos. Da sua marca mais conhecida, os Dominó, surge nova referência de nome Foxtrot. Nasce de vinhas velhas, situadas a 650 metros de altitude e com uma idade a rondar os 85 anos. Dali utiliza as uvas brancas da vinha que dá origem ao Dominó tinto e parte das tintas que se encontram na vinha do Dominó branco. Parece confuso mas deixa de o ser no exacto momento em que o temos no copo e onde tudo bate certo. Nos seus equilibrados 12% a rusticidade está lá, ao lado da frescura da Serra e de um turbilhão de fruta fresca e bem ácida, lavanda, fundo duro e térreo dos solos ricos em granito. O preço ronda os 10€ e não sendo fácil dar com ele, vale a pena a procura. 91 pts

21 abril 2017

Boina 2015


Uma estreia de um novo produtor oriundo do Douro a partir de duas vinhas velhas, uma perto da Régua e outra no extremo norte da região. Nomes como Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Franscisca, Tinta Carvalha e Souzão, compõem o lote de um vinho que se afasta da Touriga Nacional e da madeira nova, aliás nem sequer passou por ela. Um vinho com nervo e uma estrutura que teve como brinde 20% de engaço, o resto é a fruta silvestre (amora, groselha, mirtilo) bem madura e ácida a brilhar. Se por um lado os aromas vegetais pareciam estar arredados dos vinhos mais modernos, aqui aparece bem fresco naquele quase travo apimentado. Corpo mediano, sem gorduras e bem seco, musculado e muito fresco de sabores vincados no palato, equilibrado e muito porreiro para com ele se acompanhar de umas presas de porco preto na grelha, o vinho depois faz o resto. O preço ronda os 9€, vale o investimento e até um daqueles autocolantes pirosos do escolha acertada ou recomendação da semana. 90 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.