Copo de 3

23 janeiro 2015

José Maria da Fonseca Garrafeira TE 1992

Dando continuidade a vinhos onde a Castelão mostra todo o seu esplendor, neste caso apenas 65% já que dos restantes ficou encarregue a Cabernet Sauvignon, das vinhas situadas na Quinta de Camarate (José Maria da Fonseca) plantadas em solos Argilo-Calcários. Este TE (Tinto Especial) sofreu um longo processo de estágio, quer em madeira quer em garrafa, antes de ser colocado no mercado. Aqui a presença da Cabernet Sauvignon faz toda a diferença e atira o vinho para um registo bem diferente daquilo que o CO e o RA nos mostram.

A rápida evolução que a Castelão mostra ter em garrafa fica aqui suportada pela Cabernet Sauvignon, o vinho nesta altura encontra-se macio e delicado, com bouquet de grande qualidade onde as castas se combinam muito bem com a madeira. Harmonia total de um conjunto que apresenta o normal desgaste do tempo, pedindo paciência e pratos delicados, como por exemplo um arroz de pato no forno. 92 pts

21 janeiro 2015

José Maria da Fonseca Garrafeira CO 1990

Foi em 1945 que a José Maria da Fonseca começou a lançar os seus famosos Garrafeira que ostentavam as enigmáticas siglas, P, DA, AE, CB, EV, MC, TE, RA ou CO. Hoje em dia essas marcas fazem parte do século passado, as siglas descodificadas: P Passarela (Dão), DA Dão Albuquerque (Dão - Casa da Insua), AE Alentejo Estremoz (actual Quinta Dona Maria), CB Cova da Beira, EV Engenheiro Vieira (Prof. Manuel Vieira), CO Clara de Ovo (Castelão de argilo-calcários), TE Tinto Especial (Quinta de Camarate) e RA Região Algeruz (Castelão de areias).

A prova deste Garrafeira CO 1990 permite entender o comportamento da casta Castelão quando bem trabalhada em solos argilo-cálcarios. Com um conjunto muito fino e equilibrado, a fruta perdeu peso embora continue fresca e envolta numa capa fina de geleia, apontamentos de charuto, couro, pimenta, tudo com muita  elegância. Notas terrosas, num bouquet bem característico da casta em modo adulto. Um vinho de puro prazer, frutado e macio no palato, saboroso sem massacrar e a pedir sempre mais um copo.Acompanhou com mestria um pernil de borrego no forno. 92 pts

Periquita Superyor 2009

Continuando na senda da casta Castelão, vamos até à Península de Setúbal onde José Maria da Fonseca compra no ano de 1846 a propriedade de nome Cova da Periquita. Nesse mesmo local plantou as primeiras cepas da casta Castelão, que ele próprio havia trazido do Ribatejo. O vinho ali produzido, conhecido como o vinho da Periquita, desde cedo se destacou pela qualidade, surgindo assim a marca Periquita. A fama da casta rapidamente a fez espalhar pela região, sendo hoje em dia responsável pelos grandes vinhos ali produzidos, tal como este Periquita Superyor cujo preço ronda os 35€.

Elaborado a partir de vinhas velhas em solos arenosos, foi pisado a pés tendo estagiado 22 meses em barricas novas de carvalho francês. Desde o primeiro contacto que se mostra dotado de uma bonita complexidade. Conquista pela frescura da fruta que surge gorda e suculenta (ameixas, bagas vermelhas) lambuzada por suave compota a embalar todo um conjunto. Harmonioso e bem aconchegado pela madeira, especiarias e toques florais, algum balsâmico em fundo, tudo muito limpo e por camadas. Na prova de boca entra amplo e conquistador, muito prazer, firme com frescura e a fruta a explodir de sabor, um vinho amplo, com final longo e persistente, os taninos ainda brincam  dando sinal de uma larga vila pela frente. 94 pts

16 janeiro 2015

Tinto de Castelão by António Maçanita Reserva 2010


A casta Castelão será na actualidade uma das castas mal amadas do panorama nacional, terá sido vezes sem conta retirada do mapa e mesmo dos rótulos para dar o lugar a nomes mais sonantes embora menos acostumados aos terrenos que vieram pisar. Esta casta, Alentejana de gema, ganhou fama por terras da Península de Setúbal carregando às costas a marca que durante tanto tempo lhe deu nome, Periquita, mas nem nas terra das areias a casta conseguiu convencer, sendo em muitos casos o seu vinhedo mais velho substituído pela febre da Touriga Nacional. Curiosamente ou não, no Alentejo ainda permanece a terceira casta mais plantada, local onde António Maçanita (FitaPreta) decidiu ser uma vez mais contra corrente e lançar um tinto de Castelão, um tinto que tal como a casta soube esperar para melhor se mostrar. Para tal estagiou 24 meses em barrica mais 20 meses em garrafa, tiragem curta (garrafa 0392 de 2636) com preço ajustado a rondar os 18€.

A casta que nunca teve fama de ter grande concentração, apresenta-se neste vinho a proporcionar um imediato sorriso nostálgico a quem o prova. Como se afirma no contra rótulo, a algo vindo do passado e que nos mostra no imediato o erro de alguns lhe virarem costas. Quem se recorda dos grandes Castelão da zona de Setúbal encontra aqui algo do seu agrado, um belíssimo exemplar cheio de frescura com a marca vincada do Alentejo. Muita fruta presente, madura e com ligeira compota, folha de tabaco, cacau, conjunto ainda denso a dizer que o tempo ainda tem muito que lapidar por ali. Cresce no copo, boa estrutura de suporte num conjunto muito prazenteiro, fresco, fruta muito saborosa a estalar na boca, termina fresco com travo especiado, longo e persistente. A festa é completa com um Arroz de Pato no Forno. 92 pts

15 janeiro 2015

António Madeira Vinhas Velhas 2011


Este vinho nasceu do entusiasmo e dedicação de um jovem de seu nome António Madeira, nascido em França mas com raízes familiares no Dão serrano (sub-região da Serra da Estrela) onde certa vez veio passar férias e tudo começou. Da procura pelo vinhedo ideal, recuperou uma vinha velha ao abandono e dali vinificou 80 kg de uvas na adega de Álvaro de Castro. Este 2011 nasceu num ano complicado que exigiu muito trabalho no campo, não se utilizam produtos enológicos além do sulfuroso, a pisa faz-se com a força do pé, a fermentação com leveduras autóctones, tudo feito com a imensa chama de uma paixão e vontade de um autodidacta num vinho que transpira respeito pela uva e pelo local onde nasceu.

Justifica-se o investimento de 22,50€ num vinho que todo ele transpira finesse, vivacidade e frescura de um conjunto onde a fruta limpa se destaca, com estrutura suficiente para se poder afirmar que vai ter uma vida longa e preenchida por grandes momentos, tal como o que vive agora. E é à mesa que brilha mais alto, puro prazer, pura emoção, muito sério e sustentado num equilíbrio de forças tão perfeito e delicado que quando olhamos já a garrafa terminou. O Dão precisa de mais projectos assim, o consumidor apenas tem de agradecer. Obrigado António Madeira. 93pts

14 janeiro 2015

José de Sousa Rosado Fernandes 1940

O fascínio por estes vinhos vem dos meus tempos de criança, relembro as conversas que se tinham à mesa nos jantares de família, um desses nomes era um tal de Tinto Velho que tanto Natal acompanhou. Ora esse mesmo Tinto Velho é proveniente da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (Reguengos de Monsaraz), onde o prestígio e a história se aliam a tradicionais técnicas de vinificação, desde os lagares, passando pelos tonéis, às tradicionais talhas de barro.
Blend_All_About_Wine_The_Amphoras_of_Mr_Joseph
Detalhe de data em tonel 
É nas imponentes talhas que reside toda a magia e encanto destes vinhos, é daquelas porosas paredes que se transmitem anos de saber a todos os vinhos que por lá passam. Pelo meio ficou esquecida toda uma arte de fabrico que dificilmente irá voltar, resta pois venerar e contemplar todo o património que reside na Adega dos Potes e saborear os vinhos que ali são criados. Os rótulos contam que por ali já se faz vinho pelo menos desde 1878, os registos são parcos e apenas a glória dos vinhos que perduraram no tempo nos conta a história de tão gloriosa casa, como o épico o Tinto Velho 1961 ou aquele que é um dos mais emblemáticos do historial vínico de Portugal, o Tinto Velho 1940.
Blend_All_About_Wine_The_Amphoras_of_Mr_Joseph_VinhaVelhaHerdadeMontedaRibeira
Vinha velha na Herdade do Monte da Ribeira – Foto cedida por José Maria da Fonseca 
Tudo começa na Herdade do Monte da Ribeira, onde se encontram os 72 hectares de vinha, em solos de origem granítica, que foi plantada ao longo dos anos tendo o próprio José de Sousa plantado ali vinha no princípio dos anos 50. Castas como Trincadeira, Aragonês, Grand Noir… fazem parte dos encepamentos e são nos dias de hoje a base dos vinhos José de Sousa.
Blend_All_About_Wine_The_Amphoras_of_Mr_Joseph_Adega_dos_Potes
Adega de Potes – Foto cedida por José Maria da Fonseca 
Estas últimas referências fazem parte do portfolio do produtor José Maria da Fonseca que em 1980 começou a engarrafar os vinhos da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes e após a aquisição em 1986 concretiza o sonho de poder produzir vinho no Alentejo. Foi nessa altura que viria a ser descoberto debaixo de um monte de sacas de carvão um lote de garrafas do Tinto Velho 1940, um vinho cuja qualidade e longevidade iria servir de meta a alcançar na elaboração dos “novos” José de Sousa.
Assim em 1990 a marca ganhou novo rumo, dividiu-se em duas e por um lado ficou-se com um pequeno José de Sousa, por outro com um pura raça Alentejano de nome José de Sousa Mayor (Garrafeira). O mais pequeno é a continuidade com retoques da nova enologia, mais apelativo e satisfaz plateia alargada, o Mayor é a tentativa de ir ao encontro dos grandes vinhos da antiga Casa Agrícola, mais recente surge o J de José de Sousa o novo topo. Os três têm no coração a bondade da Talha, do barro do Alentejo, da tradição e dos tempos que dificilmente vão voltar.
Blend_All_About_Wine_The_Amphoras_of_Mr_JosephJoseSousa1940
José de Sousa Rosado Fernandes 1940 – Foto cedida por José Maria da Fonseca
José de Sousa Rosado Fernandes 1940
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.

J de José de Sousa 2011

O topo de gama da José Maria da Fonseca no Alentejo, um dos grandes vinhos feitos em Portugal, pontifica a Grand Noir com Touriga Nacional e Touriga Francesa. Bastante charmoso e cheio de finesse, a mostrar desde o princípio toda a sua classe num conjunto de alto gabarito. Perfeita a simbiose entre lagares/barro/madeira, que resulta num vinho que mostra o melhor do Alentejo, a frescura da fruta bem carnuda envolta por uma boa estrutura que lhe garante longevidade. Tudo com grande complexidade, chocolate, balsâmico, floral, a fruta muito fresca e bem delineada como todo o conjunto a mostrar muita classe e elegância. Pelo meio o travo terroso e fresco do barro muito subtil, envolve os sentidos com bastante prazer, boca com estrutura firme, amplo e aveludado, profundo num final de boca longo e especiado. Memorável com umas perdizes estufadas. 96 pts

Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011


É a mais recente novidade da Herdade das Servas (Estremoz), com enologia de Tiago Garcia, o Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011. Passou 14 meses em madeira mais 14 meses em garrafa, um vinho cheio e encorpado, marcado pela excelência da fruta madura, opulento e cheio de energia, balsâmico, chocolate preto e especiarias, toque de madeira, denso compensado pela boa frescura presente num conjunto com muita vida pela frente. Na boca ainda muito novo, muita fruta sumarenta, grande estrutura, saboroso e a pedir tempo para afinar a elegância que já mostra ter. Muito sabor num conjunto fresco e de muito boa qualidade. Final longo e persistente neste belíssimo exemplar de Alicante Bouschet com preço a rondar os 15€. 93 pts

13 janeiro 2015

Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007


Ainda por terras de Estremoz, saindo da Quinta do Mouro viro à esquerda e rumo em direção a Monforte, um pouco antes da zona dos Supermercados na saída de Estremoz viro à esquerda na placa que indica Agroturismo. Um pouco mais à minha frente fica a Quinta Dona Maria, que segundo conta a história foi adquirida em tempos por D.João V para oferecer a uma cortesã, Dona Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Esta Quinta é também conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo. O vinho foi sempre parte integrante da Quinta, juntamente com os seus imponentes lagares de mármore, mas seria apenas nos anos 80 com enologia de João Portugal Ramos que Júlio Bastos, o atual proprietário, iria começar a comercializar os seus vinhos, com destaque para os fantásticos Garrafeira Quinta do Carmo 1985, 1986 e 1987, onde despontava a casta Alicante Bouschet. A ligação desta casta à Quinta Dona Maria surge com um dos seus antigos proprietários, John Reynolds (Herdade do Mouchão) casado com Isabel d´Andrade Bastos.

Os anos passaram e após a venda da marca Quinta do Carmo ao grupo Bacalhoa, Júlio Bastos decidiu relançar em 2003 os vinhos com o nome Quinta Dona Maria. Recuperou o vinhedo mais antigo de Alicante Bouschet e na colheita de 2004, com enologia de Sandra Gonçalves, decidiu homenagear o seu pai, Júlio Bandeira Bastos com o lançamento do primeiro Garrafeira Dona Maria.


Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007 é o resultado da escolha das melhores uvas das vinhas velhas (50 anos) de Alicante Bouschet, pisadas em lagares de mármore e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho francês durante 14 meses.Um portento de vida e classe, liquorice, tinta da china, denso e profundo com enorme frescura e definição, envolvente com uma complexidade invejável num vinho que apesar dos seus 7 anos ainda está muito novo. A fruta silvestre muito madura, limpa, envolta numa capa de notas balsâmicas, onde a barrica integrada aconchega um conjunto de luxo de traço Alentejano. Boca a condizer, sente-se um conjunto firme, intenso e ao mesmo tempo harmonioso, profundo e conquistador num final muito longo. Um hino à região e ao passado glorioso desta casa. 96 pts

30 dezembro 2014

MR Premium Rosé 2013

 Pouco a pouco aquele que durante anos a fio foi considerado filho de um deus menor, vê o seu estatuto passar para um produto de glamour e exclusividade. O vinho rosado está na berlinda, começam a surgir um pouco por todo o lado os lançamentos de exemplares sérios, autênticos topos de gama de perfil nunca antes visto e que conquistam a mesa sem grande esforço. Ora o vinho rosé ou rosado é isto, resta seguir o caminho a trilhar para o sucesso mais que garantido dentro e fora de portas, ou não fosse o vinho de mesa de Portugal mais conhecido lá fora um rosé.

O mais recente lançamento da linha de vinhos MR Premium constitui a oferta topo de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos). Um 100% Touriga Nacional, uvas escolhidas a dedo proveniente de 5 talhões deram origem a 3.425 garrafas com preço a rondar os 15/20€. O vinho é todo ele elegância, muito perfumado e fresco, fruta fresca (cereja, amora) com  mineralidade num conjunto com tudo muito equilibrado e de fácil percepção, a barrica apenas o aconchega com toque de pão torrado no fundo. Na boca é sedutor, boa textura, muito elegante e fresco, marcado pela presença da fruta, novamente uma ligeira tosta, saboroso e com final seco a pedir comida por perto. Um dos grandes rosados feitos em Portugal. 93 pts

Quinta do Mouro Vinha do Malhó 2009

Se há locais predestinados à produção de vinho de alto gabarito, a zona de Estremoz (Alentejo) é um desses sítios a ver pela quantidade de projectos e respectiva qualidade dos vinhos ali produzidos. A Quinta do Mouro é sem dúvida alguma um dos melhores exemplos do que de melhor se faz no Alentejo e em Portugal. Ali quem manda é o carismático produtor Miguel Louro, podendo mesmo afirmar que os grandes vinhos que ali são produzidos são frutos da sua teimosia e genialidade. O primeiro Quinta do Mouro saiu para o mercado em 1994, em 1999 foi lançado o ensaio daquele que é o mais cobiçado vinho do produtor, o Quinta do Mouro Rótulo Dourado. A última coqueluche a sair da adega dá pelo nome de Vinha do Malhó 2009, o primeiro vinho do produtor produzido apenas de uma vinha (2ha) plantada em 2001, a do Malhó, composta por duas parcelas na encosta em frente à casa da Quinta do Mouro. Localizada em solo de xisto, muito pobre, o rendimento é baixo e durante todos estes anos tem contribuído apenas para enriquecer o lote do Quinta do Mouro.

Estamos perante mais um vinho ao melhor estilo que Miguel Louro nos tem vindo a acostumar, uma vez que contrariando toda a equipa de enologia  considerou que um dos lotes disponíveis se diferenciava com mais amargos, mais acidez, mais taninos, mais de tudo… as tais características únicas e com identidade suficiente para espelhar aquilo que Miguel Louro entende ser a Vinha do Malhó numa produção de 3.000 garrafas que só voltará a ser lançado com a colheita de 2012. Como já foi dito destaca-se pela frescura, pela solidez e profundidade que mostra mesmo sendo ainda um jovem com toda uma vida pela frente. Esse vigor sente-se no palato, dominado por taninos e fruta muito viva, segundo plano terroso e especiado num final muito longo e persistente. Elegante e provocador, uma verdadeira tentação naquele que é um dos melhores vinhos do produtor. 96 pts

Publicado em Blend All About Wine Setembro 30, 2014

29 dezembro 2014

Quinta da Murta Reserva Bruto 2008


A Quinta da Murta (Bucelas) possui 14,5 hectares de vinha, implantadas a 250 metros de altitude nas encostas do Vale da Ribeira do Boição, beneficiando de solos compostos por margas calcárias e calcários cristalinos, com numerosas presenças de fósseis. Com natural presença da casta Arinto, cuja acidez natural aliada às características dos solos e do microclima da região permite produzir na Quinta da Murta, agora com enologia de Hugo Mendes, vinhos únicos com grande potencial de guarda onde brilha a gama de brancos e de espumantes.

Uma pequena parte do lote fermentou em barricas usadas, com posterior estágio em garrafa. Mostra um Arinto evoluído, complexo, aroma muito fresco com citrinos maduros, folha de limoeiro, maçã, muito vivo e direto com mineralidade de fundo. Boca com muita frescura, mousse ligeira com citrinos, vivacidade e mineral, numa bela acidez em final persistente e seco. Um espumante polivalente que brilha alto com pratos de marisco por perto, por exemplo mexilhões ou ameijoas ao natural, apenas com umas gotas de sumo de limão e coentros picados. 91 pts

Quinta de Foz de Arouce 1992


Este Quinta de Foz de Arouce 1992 é um claro exemplo de mais um dos grandes vinhos feitos em Portugal, com a capacidade e atrevimento que poucos conseguem ter passados 22 anos, é obra. Nasceu na Quinta de Foz de Arouce (Beiras), pertença de João Filipe Osório de Meneses Pitta, com enologia de João Portugal Ramos que em 1987 lança no mercado o primeiro Quinta de Foz de Arouce. As vinhas velhas que lhe deram origem foram plantadas em 1940, manda a Baga localizada em solo predominantemente xistoso com aluvião. Com a plantação de novo vinhedo em 2000 surge com a colheita 2003 um novo conceito, o vinho das vinhas velhas passa a ser chamado Quinta de Foz de ArouceVinhas Velhas de Santa Maria, enquanto o vinho proveniente das vinhas novas o Quinta de Foz de Arouce.

Exemplo de uma Baga adulta e séria, aromas limpos com muita complexidade e frescura a embrulhar todo o conjunto. Debita muita classe no copo, bouquet de gabarito, aromas frescos e refinados, marcados pelo tempo mas sem nunca perderem o encanto, flores, fruta com mirtilos e cereja bem sumarenta em destaque, especiarias e algum terroso à mistura, muita classe num conjunto requintado e conquistador. Na boca repete uma prova de prazer, frescura com a fruta bem madura a marcar presença, especiaria com notas terrosas, profundo e conversador. 95 pts

28 dezembro 2014

Quinta da Pellada Primus 2007

Ando farto de provar vinhos demasiadamente novos, daqueles que alguém sempre diz "isto precisava de mais uns anos em garrafa" mas que por motivo das pressas acabamos por ver o dito aberto e a cair nos copos. Este Primus surge com sete anos de vida, a mostrar mais uma vez que com tempo tudo muda e neste caso para melhor. O aperto inicial que mostrava deu largas a uma complexidade bonita e muito cativante, as castas são a Encruzado e mais umas quantas que moram nas vinhas velhas que estão ao cuidado do produtor Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) sediado no Dão. 

O vinho tem brilho próprio, ainda que uns furos abaixo de colheitas mais recentes como 2009 ou 2011, aqui já com o tempo a mostrar os seu caprichos, num bouquet refastelado com notas de cera de abelha, mineralidade, melão, flores, barrica muito ténue com ligeiro melado pelo meio, tudo muito harmonioso e sem desequilíbrios. Na boca debita uma enorme prestação, saboroso, mineralidade que o coloca algo tenso num final com frescura que revitaliza o palato, ligeiramente frutado, longo e a dar uma prova de grande categoria neste momento. Acompanhado por Bacalhau com Migas de broa e grelos. 93 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.